Calvário Reflexões: Reflexões teologicas e filosóficas sobre a vida

" O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno".

William Shakespeare


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A reforma protestante: um breve olhar sobre um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade


A inevitabilidade da reforma  protestante ocorrida no século XVI se deu por alguns fatores religiosos, sociais e políticos. Destaca-se, por exemplo, sob a perspectiva religiosa, o fato de que a Igreja Católica Romana foi relutante em aceitar as mudanças que foram sugeridas por homens piedosos como Wycliffe e Jonh Hus; sob a ótica político-econômica, o surgimento das nações-estados, que se opuseram ao poderio universal do papa e a formação da classe média, que se revoltou contra a remessa de reservas para Roma; no âmbito moral, a corrupção, imoralidade e sensualidade reinavam e causavam aversão aos piedosos. Era o ambiente propício para uma revolução. O clima estava efervescente.
De acordo com Cairns (1984)

Por volta de 1500, os fundamentos da velha sociedade medieval estavam ruindo e uma nova sociedade, com uma dimensão geográfica muito ampla e com transformações nos padrões políticos, econômicos, intelectuais e religiosos, começava a surgir. As mudanças foram realmente revolucionárias, por sua natureza e pela força de seus efeitos sobre a ordem social.  

Algumas sugestões desafiadoras que, viraram realidade e ganharam consistência durante o processo de reforma,  foram propostas nesse ambiente em que a Igreja era monopolizadora:  a) a substituição da Igreja Universal por igrejas nacionais ou estatais e igrejas livres; b)  a teologia bíblica protestante ganhou o lugar da filosofia escolástica; c) a justificação pela fé somente foi enfatizada no lugar dos sacramentos e das obras; d) a bíblia somente tornou-se a norma e não a bíblia unida à tradição. Todas essas mudanças, contudo, após 1650, foi solapado pela filosofia idealista alemã e pela crítica bíblica, o que fez com que a civilização ocidental se tornasse cada vez mais secularizada. A expansão global da Europa resultou na afetação de todo o mundo por essa situação.
As perspectivas mudaram rápida e progressivamente em todos os campos. No âmbito geográfico houve uma mudança do sistema potâmico[1] e talássico[2] pela era de civilização oceânica, em que os mares do mundo tornaram-se as estradas do mundo. No âmbito político, o conceito medieval de um estado universal estava dando lugar ao novo conceito de nação-estado (Cairns, 1984, p. 222). No campo econômico houve uma consolidação e ampliação das mudanças que já haviam começado antes da reforma por conta do ressurgimento das cidades, a abertura de novos mercados e a descoberta de fontes de matéria-prima nas recentes terras descobertas. Essa descentralização econômica provocou a aversão em relação ao envio das riquezas à Igreja universal sob a liderança papal. Do ponto de vista social, houve uma mudança entre o sistema organizacional horizontal para uma organização mais verticalizada. Ou seja, diferentemente do sistema organizacional medieval o novo sistema possibilitava a ascensão social. E essas pessoas que estavam ascendendo socialmente e formando uma nova classe social garantiram as mudanças introduzidas pela reforma no noroeste da Europa.  Sob a ótica intelectual, houve transformações na sociedade provocadas pelo Renascimento que por sua vez impulsionou o interesse pela volta às fontes do passado, uma ênfase no individuo.
continuação...

                                                                                             Pr.  Josguimar
  



[1]  É chamado Potâmico por que a civilização do mundo antigo  estava ligada aos seus sistemas fluviais específicos. 
[2] É chamado Talássico por que a civilização medieval desenvolveu-se em torno dos mares Mediterrâneo e Báltico.

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