O evangelicalismo moderno está cheio de gente que se autodenomina apóstolo, profeta, bispo, missionário, enfim, pessoas “cheias” de autoridade afirmando advir de Deus. Em primeira instância aparentam ser alguma coisa, mas quando se faz uma investigação acurada não passam de charlatões agindo em prol do lucro em nome de Deus. O pior é que tais líderes fazem discípulos que são os clones perfeitos da malignidade disfarçada e maquiada.
As Escrituras nos mostram o perigo de cair nas armadilhas de tais pessoas. As redes armadas são sutis, as palavras doces e capciosas, mas os resultados são cruéis, venenosos e letais. A aparência e as obras dessas pessoas podem até impressionar e fascinar, mas não passam de adoradores de si mesmos e, concomitantemente, marionetes de satanás. Aos nossos olhos parecem ovelhas, mas aos olhos de Deus são lobos devoradores e famintos. Aos nossos olhos parecem árvores que dão frutos nutritivos e saborosos, mas seu fruto é venenoso.
O próprio Jesus disse aos seus discípulos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Ou seja, nem tudo aquilo que parece é. É necessário que se tenha cuidado, cautela, discernimento para distinguir entre aquele que é e o que não é para não cair em suas armadilhas e para não cair em suas garras. Jesus nos mostra a possibilidade de alguém demonstrar, o tempo todo, doçura e inocência; boas intenções e auxílio, mas no fundo no fundo sua principal motivação é lucrar de alguma forma. Jesus nos aconselha a tomar cuidado com os que parecem ser alguma coisa, mas não são de fato.
Os lobos não se apresentam como lobos. Seria explícito e afugentador demais. Há um disfarce quase imperceptível. Enganador. Jesus se refere claramente aos falsos profetas. Pessoas que diziam ter algo da parte de Deus, mas diziam aquilo que seu ventre afirmava. Suas palavras e seus feitos são tão extraordinários que podem ludibriar até mesmo os eleitos. Jesus disse: “Surgirão falsos cristos e falsos profetas, realizando sinais e maravilhas, com o objetivo de enganar, se possível, os próprios eleitos. Desse modo estai vigilantes, pois sobre tudo isso avisei com antecedência” (Mc 13.22).
Paulo em sua epístola aos Romanos diz: “Rogo-vos, queridos irmãos, que tomem muito cuidado com aqueles que causam divisões e levantam obstáculos à doutrina que aprendestes. Afastais-vos deles! Porquanto essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas sim a seus próprios desejos. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.17-18). Paulo é mais radical. O perigo pode ser encontrado na mesma congregação. A suavidade das palavras e as ações impressionantes podem ser ouvidas e vistas como Deus operando, mas são as paixões dos enganadores que externam seu veneno.
Paulo em outra carta afirma: “Tende muito cuidado para que ninguém vos escravize as vãs e enganosas filosofias, que se baseiam nas tradições humanas e na falsa religiosidade deste mundo, e não em Cristo” (Cl 2.8). E o mesmo tipo de cuidado aconselha a Timóteo: “Nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desrespeitosos aos pais, ingratos, ímpios, sem amor, incapazes de perdoar, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconseqüentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres d que amigos de Deus, com aparência de piedade, todavia negando o seu real poder. Afasta-te, portanto, desses também” (2Tm 3.1-5).
Pedro não fica de fora quando se trata de advertir os cristãos em relação aos que parecem ser algo, mas não o são. Ele diz: “assim como, no passado, surgiram falsos profetas entre o povo, da mesma forma, haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao cúmulo de negarem o Soberano que os resgatou, atraindo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão seus falsos ensinos e práticas libertinas, e por causa dessas pessoas, haverá difamação contra o Caminho da Verdade” (2Pe 2.12). Tais textos deixam claro que precisamos ser vigilantes, cuidadosos, cautelosos acerca dos que se dizem advindos de Deus, mas não são.
Há muita gente, principalmente, na mídia que tem ludibriado as pessoas em nome de Deus e em prol do enriquecimento. Dizem estar fazendo a obra de Deus, mas não passam de usar o nome de Deus como passaporte ou senha para os lucros exacerbados.
O “apóstolo” Valdemiro diz que teve uma revelação, da parte do Espírito Santo, há pouco tempo em rede nacional, sobre o trízimo. As pessoas teriam que depositar o dízimo em sua Igreja e ir além, triplicá-lo. Sem falar na ênfase nos milagres dando a impressão que Jesus é um mero milagreiro. Uma breve leitura bíblica. Textos sendo usados como pretexto para enfatizar seus desejos insanos. Os frutos podem ser vistos: templos fabulosos e caros sendo construídos em ritmo de competitividade; pessoas frustradas e motivadas por fatores errôneos; conta bancária estourando pelo dinheiro adquirido com as toalhinhas ungidas, sabonete santo, pulseira da benção, gruta da unção. Cultos atrativos com nomes sugestivos três vezes por dia para aumentar a arrecadação. Tais pessoas não passam de megalomaníacos.
O Malafaia, autodenominado “profeta do Brasil”, trás um outro “profeta” internacional para extorquir o povo crédulo. É a unção dos 900 reais. É a proposta de barganha com Deus. Dão os 900 reais – que para a maioria são suados - que Deus triplicará seu dinheiro. E outra coisa absurda que ocorre. É a imposição de culpa aos telespectadores pelo sucesso ou fracasso do seu programa. Ele diz: “não permita que percamos nosso programa seja um colaborador! Estamos evangelizando o Brasil!”. Por que ele não vende seu carro blindado e doa para seu próprio programa? Porque os que não tem dinheiro e nem vínculo direto com a sua denominação são tidos como culpados? Eu não o considero profeta do Brasil. Ele não fala por mim quando diz certas coisas como se fosse a voz dos evangélicos no Brasil. Eu me envergonho com a podridão que há nos bastidores. A briga por posição hierárquica e poder.
Há outros que podem e devem ser citados. Devemos dar nome aos bois. Edir Macedo que afirmou que ele atrai o povo com “bosta” e o povo gosta. Até rimou. Sem falar no fato de que ele é um dos precursores da teologia da prosperidade no Brasil juntamente com R.R Soares. Fazendo da Igreja um mercado e do povo cliente que merece receber aquilo que pagar. Essas pessoas fazem com que “o Caminho da Verdade seja difamado”.
Estão construindo megaigrejas fundamentadas em alicerces podres. São enormes os seus templos, são incontáveis os seus membros, mas é medíocre, torpe e pior, anticristão o seu ensino. Um dia a casa vai cair e será revelado definitivamente quem é quem. Um dia o fogo descerá e será evidenciado que tipo de material está sendo usado para construir tais impérios. Que Deus tenha misericórdia desses tais e que eles se arrependam imediatamente, pois se não o fizerem será grande a sua ruína.
CONTINUAÇÃO...
Pr. Josguimar Amaral

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