Nestes últimos dias foi veiculada a notícia de que um restaurante em São Paulo explodiu matando e ferindo algumas pessoas. Vi na TV que no momento da explosão alguém passava pela calçada e foi atingido por fragmentos de vidro, cimento e ferro. Observei também que já se havia detectado um cheiro muito forte de gás que, por sinal, foi ignorado. Os botijões estavam vazando e em lugar inapropriado. Alguns funcionários que trabalhavam no restaurante estavam lá alguns minutos antes da explosão e um dos funcionários ficou. Este acabou morrendo.
Chamou-me a atenção o fato de que alguns sofreram o abalo de forma imprevisível e inesperada e outros sofreram, embora consciente ou inconscientemente, de forma previsível. A inesperabilidade ou imprevisibilidade e a previsibilidade foram fatores atuantes nessa tragédia. O funcionário que estava dentro do restaurante sabia que de alguma forma havia perigo. Era previsível. O cheiro estava forte demais. O dono do restaurante sabia – ainda que se autojustifique - que os botijões estavam em lugar inapropriado e em estado deplorável. Havia o fator previsibilidade em todo o processo.
E o fator imprevisibilidade? Na inocência e surpresa dos que foram atingidos fora do restaurante. No fato de que os que foram atingidos fora do restaurante tinham outros propósitos, outros pensamentos, até mesmo ignoravam a existência do restaurante. Não sabiam e não poderiam saber dos perigos de se caminhar na calçada do restaurante.
Esta tragédia me fez refletir sobre algumas questões da vida:
a) Quantas pessoas sofrem grandes abalos por que ignoram os sinais externos ou internos de perigo? Quanta gente morre no trânsito mesmo sabendo que é necessário que se cumpram as normas estabelecidas pela lei de trânsito? Quanta gente morre de câncer no pulmão mesmo sabendo que o cigarro é uma droga letal? Quanta gente contrai doenças sexualmente transmissíveis mesmo tendo a informação sobre os perigos do sexo inseguro? Quanta gente se vai cedo demais mesmo tendo pelo menos uma pequena percepção de que a vida é efêmera? A previsibilidade é um fator atuante. Muitas pessoas sofrem grandes abalos em sua vida mesmo sabendo da alta periculosidade das situações.
b) Quantas pessoas inexplicavelmente morrem cedo demais? Quanta gente é fulminada por uma bala perdida? É vitima de assalto relâmpago? Perde um parente querido? É atingido por uma tragédia imediata? A vida é imprevisível. É efêmera. Há coisas que ocorrem e são ilógicas. Parece não haver um senso de justiça no mundo quando ocorrem esses tipos de situações. As fatalidades ou não-fatalidades quando ocorrem atingem e doem. A imprevisibilidade da vida deve fazer com que reflitamos continuamente.
A notícia da explosão no restaurante me fez ver que preciso refletir mais sobre o que tenho sido e como tenho agido haja vista que o tempo é curto. Fez-me enxergar que preciso me doar mais pelos outros por que os outros e eu têm pouco tempo para fazer o que é certo. O certo é tudo aquilo que já está estabelecido nas Escrituras sagradas. Ela nos dá uma visão de previsibilidade. Ela é o padrão pelo qual a vida curta que temos pode ser vivida e desfrutada em sua plenitude.
A notícia da explosão no restaurante aguçou o meu anseio para proclamar a verdade do “Reino agora” e do “Reino futuro” tendo em vista a urgência de mostrar às vidas que estão perdidas a preciosidade da vida com Deus aqui e na eternidade.
continuação...
Pr. Josguimar Amaral

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