Li recentemente o comentário do Dr. Cheung sobre a carta de Paulo aos Filipenses e observei algo interessante: a possibilidade de alguns cristãos confessos serem parasitas. Cheung afirma:
A maioria dos cristãos professos é parasita; ou seja, eles se beneficiam de uma igreja ou ministério sem partilhar de seus custos e responsabilidades. Mesmo sabendo que a igreja ou ministério requer muita assistência financeira e prática, eles deixam que outras pessoas façam os sacrifícios necessários. Alguns deles valorizam a igreja ou ministério o bastante para que estejam querendo ajudar se souberem que ela fracassará sem a assistência deles, mas não antes da organização ter chegado a tão desesperada condição.
De fato, aqueles que se dizem cristãos e não assumem a responsabilidade e os custos pela manutenção e crescimento do Reino de Deus, materializado na organização eclesiástica, são considerados, sob a ótica de Cheung e das Escrituras, parasitas.
Na carta de Paulo encontramos sua gratidão pelos crentes filipenses pelo fato de terem sido mantenedores - pelo menos por um tempo - do seu ministério através de suas finanças. Paulo passava por privações e algumas igrejas cristãs também. Quem lê a carta aos filipenses vê uma carta de gratidão pela bondade dos crentes. Enxerga através da vida dos cristãos filipenses o modo como os crentes devem ser participantes do progresso do evangelho. O parasita não faz assim. Ele ignora as necessidades da igreja e não promove o progresso do evangelho. Ele prioriza suas necessidades e deixa deliberadamente os ministros da palavra passar privações.
Cheung é mais duro do que eu em suas palavras quando diz:
Você é um fiel participante do evangelho ou um desavergonhado parasita? Você se põe em primeiro lugar mesmo quando a igreja ou ministério estejam em grande necessidade? Mas talvez você não tenha o suficiente apesar de seu egoísmo. Deus diz a seu povo através de Ageu: “Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada (...) e o que vocês trouxeram para casa eu dissipei com um sopro. E por que o fiz?”, (...) “por causa do meu Templo, que ainda está destruído, enquanto cada um de vocês se ocupa com sua própria casa”[1]. E então o profeta diz: “vejam onde os seus caminhos os levaram”[2]. Você pode pensar que é mais seguro colocar as suas necessidades em primeiro lugar, mas essa segurança é ilusão, visto que o próprio Deus irá virar-se contra você.
A gratidão e alegria de Paulo não são apenas por que recebeu, repetidamente, donativos por parte dos filipenses, mas pelo fato de esse desprendimento financeiro e essa liberalidade serem evidências de que compreendiam o evangelho proclamado pelo apóstolo. Paulo tinha certeza de que os filipenses não eram parasitas. Pode ser que não seja o único sinal, mas a ânsia dos filipenses para se tornarem participantes do evangelho com Paulo, indica que Deus realizou uma genuína obra de conversão neles.
O parasita não quer responsabilidade; não aceita ser pastoreado; não se sacrifica em prol do crescimento de sua igreja; não doam tempo, dinheiro, habilidades; não se importa com as programações realizadas pela sua igreja local; tem uma visão limitada acerca do que deve ser prioridade e do que é precioso; é egoísta e materialista; quer ser bajulado e adulado; deseja holofotes e a cena, mas odeia os bastidores. O Cristão participante do evangelho é solidário e visionário; é desprendido dos bens materiais tendo em vista o progresso do evangelho; sacrifica-se em prol do crescimento do Reino, da manutenção da Igreja local e do suprimento da liderança.
Quantos cristãos parasitas têm em nosso meio! Que Deus possa ter misericórdia desses que sugam a vitalidade do evangelho ao invés de promovê-lo e fazê-lo progredir através de suas ações sinceras e desprendidas. Que eles possam se assemelhar aos participantes do evangelho.

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