Sabe-se que a Reforma Protestante é definida sob diversos prismas. Os historiadores Católicos romanos a definem como uma heresia inspirada por Lutero e sua vontade de se casar; enquanto os historiadores seculares a enfatizam sob uma ótica mais secundarista – do ponto de vista meramente político ou econômico. No entanto, pode-se definir a reforma como um movimento que engloba todos esses fatores tendo o fator religioso como determinante e primaz.
A corrupção político-religiosa chegou aos extremos e tornou o ambiente insuportável para os que ansiavam por justiça e transformações urgentes e para os que não queriam compartilhar de seus lucros com a pompa da Igreja. Lutero não foi o primeiro a reclamar por mudanças no seio da igreja, o ‘pato’ Hus e o John Wicliffe juntamente com mais alguns homens piedosos lutaram para que as transformações ocorressem. Lutero foi a explosão do pavio que estava aceso há muito tempo. Foi ele quem decretou a queda definitiva da soberania eclesiástica nesse período.
A perspectiva de um novo sistema organizacional foi baseada em um pressuposto religioso consistente elaborado pelos reformadores. A Igreja Internacional monopolizadora deu lugar a igrejas nacionais e locais; a Igreja Católica perdeu suas forças de dominação em relação ao Estado - que por sinal já estavam abaladas; a intervenção do sacerdote pelo povo diante de Deus perdeu lugar para o sacerdócio individual; Os ritos superficiais deram lugar à seriedade do cristianismo; a comercialização da fé feita pelos Católicos foi rejeitada e demonizada; uma nova perspectiva foi absorvida pela sociedade.
Lutero, Zwínglio e principalmente João Calvino, embora divergindo em alguns pontos secundários da fé cristã, foram os instrumentos pelos quais a Europa ficou infectada pelos pressupostos reformados. Ambos defendiam até a morte a justificação pela fé e a autoridade suprema e absoluta das Escrituras Sagradas. Embora se deva lembrar constantemente do papel desencadeador de Lutero não se pode esquecer da importância de Zwínglio – ainda que mais liberal que o Lutero - por conta de sua erudição, democraticidade e sinceridade no empenho em libertar a Suíça das mãos do papa através de seus princípios reformadores e de sua morte heróica na batalha em Genebra.
João Calvino proporcionou, através de sua dedicação doutrinária, a mais perfeita sistematização da fé Cristã com suas Institutas da Religião que é fruto de seu empenho teológico-exegético e de seu labor pastoral. Além de sublinhar o cristianismo como força religiosa mostrou que a concepção cristã atinge definitivamente todos os aspectos da vida social, inclusive a Educação. Ele foi um dos maiores incentivadores da Educação. O exemplo do que o cristianismo pode fazer é evidenciado em Genebra sob a liderança de Calvino. Calvino foi uma influência vivaz da democracia, do capitalismo puro, da vida moderna. Lutero, Zwínglio e João Calvino foram instrumentos pelos quais Deus despejou sua graça soberanamente.
Sola Scriptura - Pr. Josguimar

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