Introdução
Observa-se que a maioria esmagadora das pessoas não-cristãs que tem uma aversão à igreja, aos cristãos e ao evangelho, ou a qualquer tipo de organização institucional religiosa, argumenta de diversas formas o porquê não vai, gosta ou não vê necessidade de fazer parte dessas instituições.
Há muitas razões. Um dos argumentos se refere às decepções ocasionadas no contato com religiosos. É quando alguém se decepciona com o comportamento ético dos que se dizem religiosos no ambiente de trabalho, no lar, na sociedade e, a partir disso, decide que não quer ser como tal religioso e afirma que “pra ser como ele não é necessário ir à igreja”. Outros argumentam que não vão à Igreja por que “não trabalham para sustentar pastor”. Já outros dizem que não querem ficar “neurótico ou fanático” como fulano que prega aos berros no ponto de ônibus e ignora as necessidades do seu lar.
Muitos ainda afirmam que não vão à igreja por que eles não querem fazer parte do grupo do “não pode”. E outros dizem que “ainda sou muito jovem e tenho muito para curtir” como se a igreja fosse algo associado com o que é opressivo. Outros dizem que fazer parte da igreja e de cristianismo é “sepultar a razão” como se o cristianismo e a Igreja fossem coisas de ignorantes. Por fim, muitos afirmam que igreja e cristianismo são bons para “os fracassados emocionais e desesperados psíquicos”.
Percebe-se que as razões supracitadas são apenas ramificações da percepção das pessoas em relação ao religiosismo exercido por aqueles que se dizem cristãos. Ou seja, eles têm esses argumentos por que observaram o Religiosismo e não o Cristianismo.
Transição
Precisamos ter o discernimento para perceber o que é o religiosismo e o que é o Cristianismo. Precisamos ter o discernimento, ter a percepção correta acerca do que é o cristianismo verdadeiro e o que é apenas manifestação religiosa. Precisamos ter a capacidade de perceber entre os dois por que podemos correr o risco de ser instrumentos do religiosismo e não do cristianismo. O religiosismo traz conseqüências graves em longo prazo e o cristianismo causa liberdade e responsabilidade conscientes. É esse discernimento que Jesus nos mostra no texto em questão.
Exposição do Texto
O contexto nos mostra que Jesus foi convidado para festejar a nova vida de Levi ou Mateus. Depois de ouvir o convite de Jesus para segui-lo ele se dispôs imediatamente e fez uma festa para comemorar a nova vida chamando seus amigos publicanos. Mateus era um coletor de impostos, um publicano. E por isso, era odiado e desprezado pelos religiosos. Tais religiosos o tratavam com aversão por que ele cobrava imposto por Roma. Ele era funcionário do governo romano e trabalhava cobrando imposto de Israel. Isso deixava o povo e os religiosos revoltados. Os publicanos eram, na perspectiva deles, os piores pecadores.
A Ira dos religiosos se acendeu mais intensamente quando estes viram Jesus e seus discípulos “comerem e beberem” com tais ‘pecadores’. Aquela comemoração era considerada uma ofensa grave contra os princípios que eles defendiam na sociedade. E as perguntas que fizeram demonstravam o quanto eles estavam indignados e prontos a obterem as justificativas do Mestre que dizia seguir as Escrituras. Eles primeiramente perguntaram: “porque comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” e depois afirmaram talvez num tom de superioridade religiosa: “Os discípulos de João e bem assim os dos fariseus frequentemente jejuam e fazem orações; os teus, entretanto, comem e bebem”. É como se eles tivessem dizendo: “João e nós, fariseus, somos melhores do que você”.
O interessante é que eles ignoraram João Batista e agora olham para sua atitude acética em relação à alimentação e sua dureza com os pecadores confundindo e comparando a atitude de João com a Ignorância deles a fim de diminuir o modo como Jesus tratava os pecadores. Em outro lugar o mesmo Jesus condenou essa mentalidade mesquinha e religiosa dos fariseus afirmando: “Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!”.
A resposta que Jesus dá aos fariseus pode ser resumida da seguinte forma: O cristianismo proporciona vida nova às pessoas enquanto o religiosismo proporciona prejuízos graves. Eis aí alguns prejuízos graves que o Religiosismo proporciona para a sociedade:
1. O Religiosismo faz com que haja uma mentalidade aceptiva em relação às pessoas
2. O Religiosismo faz com que haja um ofuscamento da verdadeira mensagem
3. O Religiosismo faz com que haja uma supervalorização do supérfluo em detrimento do essencial
4. O Religiosismo faz com que haja uma compreensão distorcida acerca dos propósitos divinos
5. O Religiosismo faz com que haja um desperdício daquilo que se pode desfrutar da graça
6. O Religiosismo faz com que haja um desordenamento comportamental
7. O Religiosismo faz com que haja uma confiança exacerbada nas obras
Conclusão
O religiosismo é um remendo na vida das pessoas. Só traz prejuízos. Assim como não dá para remendar pano novo em roupa velha por que não se pode rasgar roupa nova para remendar roupa velha – é loucura e insensatez - e a roupa velha não suporta por muito tempo por conta da deterioração e corrupção da roupa velha. É uma analogia interessante de Jesus que mostra que a mensagem que ele trazia - as boas novas – não poderia caber nos princípios religiosos dos fariseus. Haveria prejuízos tanto na pureza do evangelho quanto no comportamento dos religiosos. Eles só seriam ainda mais religiosos com doutrinas novas.
O religiosismo é um paliativo na vida das pessoas. De alguma forma tenta suprir as necessidades básicas das pessoas e ajustar os desequilíbrios, mas tem ação paliativa. Dá jeito por um tempo naquilo que é sintoma, mas o câncer está crescendo progressivamente. A febre foi inibida, mas a doença original está adormecida. O religiosismo é como colocar “band aid” numa fratura exposta. Talvez tenha boas intenções, mas não é aproveitável.
O religiosismo é totalmente diferente do Cristianismo. O Cristianismo proporciona vida nova e o religiosismo é destrutível. O Cristianismo valoriza as pessoas e põe as coisas no seu devido lugar enquanto o religiosismo troca os valores. O Cristianismo dá liberdade enquanto o religiosismo promove a discórdia e a prisão. O cristianismo promove o “amor a Deus sob todas as coisas e o amor ao próximo como a nós mesmos” e o religiosismo incentiva a acepção, a intolerância, a autoconfiança, um automerecimento, uma distorção.
Precisamos discernir entre o Religiosismo e o Cristianismo para que mostremos, de fato, o verdadeiro cristianismo.
Pr.Josguimar Amaral








