Calvário Reflexões: Reflexões teologicas e filosóficas sobre a vida

" O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno".

William Shakespeare


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Perspectiva histórica acerca da Idade Média


I. Introdução

Tradicionalmente a Idade Média é compreendida entre o século V até o século XV embora não seja sensato estabelecer com exatidão o momento histórico em que este período se inicia e se finda. Pois, “sendo a história um processo, deve-se renunciar à busca de um fato que teria inaugurado ou encerrado um determinado período” (Júnior, 1992).
   Denominada pelos estudiosos do século XVI como período de estagnação do desenvolvimento, ficou marcado como Idade das Trevas. Apesar do pré-conceito gerado em torno deste período, muitas transformações sócio-culturais se desenvolveram ao longo dos seus séculos.  
   Tal período se destaca por algumas características: A convivência e a interpenetração de Roma, dos germanos e da Igreja – em sua primeira fase, denominada 1° Idade Média;  uma nova unidade política com Carlos Magno e a lucratividade exacerbada da Igreja – em sua 2° fase, denominada Alta Idade Média; e, finalmente, a época do Feudalismo – a 3° fase desse período denominada Idade Média Central (Júnior, 1992).
   Este trabalho visa explicitar as transformações ocorridas na passagem do mundo feudal para o moderno. 

II. Uma breve perspectiva acerca das transformações ocorridas na passagem do mundo Feudal para o mundo Moderno

Após a crise do século III o império Romano vivenciou um período conturbado que contribuiu para a divisão do império em duas partes: Ocidente e oriente. Conhecidos, também, como Império Bizantino e Império Carolíngio.
   O oriente, conhecido como Império Bizantino, conseguiu resistir às invasões bárbaras e perdurou ainda por onze séculos. Funcionava como um Estado organizado em que os soberanos respeitavam suas leis e buscavam atender o desejo de todos além de observar e realizar os mandamentos da igreja.
   O ocidente por sua vez, não resistindo os sucessivos ataques se fragmentou em vários reinos ocupados pelos bárbaros no século V. dentre as invasões destaca-se a invasão dos Francos que conseguiram estruturar um poderoso reino governado pelas dinastias Merovíngia e Carolíngia. Com a dissolução da dinastia merovíngia, a dinastia Carolíngia se consolidou e no reinado de Carlos Magno foi denominado Império Carolíngio. Apesar dos esforços do seu imperador para manter o ocidente unificado, o império Carolíngio não resistiu ao tempo. De acordo com Lopes (1965) o império Carolíngio era um gigante frágil que um século depois da morte de Magno já estava dividido e decadente.
   A desestruturação do Império Carolíngio, unido à uma onda de ataques – Vikins, Muçulmanos, Megiares – contribuíram para que no século X a Europa vivesse uma crise generalizada, responsável por um clima de insegurança que tomava contado Ocidente europeu, que por sua vez em busca de proteção, migrava para o campo. Os mais fracos procuravam ajuda de nobres poderosos, os camponeses procuravam auxilio de senhores de terra, onde acabavam sendo submetidos à servidão.
   Esse processo de ruralização da sociedade européia demonstrou uma considerável característica de transição do mundo Romano para o Mundo feudal que é uma montagem que representava a crise geral daquele momento.
   Para o historiador medievalista Legoff feudalismo é um sistema de organização econômica, social e política, no qual uma camada de guerreiros especializados – os senhores – subordinados uns aos outros por uma hierarquia de vínculos de dependência, domina uma massa campesina que trabalha na terra e lhe fornece com que viver.  
   Percebe-se na imagem acima a vida rural em destaque e, ao fundo, a cidade distante, fazendo um contraste com o trabalho braçal dos camponeses na terra. Sem distinção, homens e mulheres trabalhavam em todas as estações, do plantio à colheita; do nascer do sol ao pôr do sol.
   A servidão era considerada uma visão superior da escravidão, pois o servo era relativamente livre. De acordo com BURNS

O servo morava, em geral, numa cabana miserável, construída de varas  trançadas e recoberta de bano. Um buraco no telhado de palha era a única saída para a fumaça do fogão. O peso de terra batida, geralmente fria e encharcada pela chuva ou pela neve. Sua alimentação grosseira era constituída de pão preto ou misto, algumas verduras, queijo carne e peixe salgado, pois não tinham direito de desfrutar daquilo que produziam.
   Mas, nem tudo era sofrimento ou miséria na vida do servo feudal. Ele tinha direito a posse usual da terra. Se a terra fosse vendida ele conservava o direito de cultivar seu lote. Quando o servo ficava muito velho ou fraco para trabalhar, era dever do senhor feudal cuidar dele até o fim dos seus dias. Embora trabalhasse duro nas épocas de plantio e colheita tinha muitos dias de folga. Em algumas partes da Europa esses dias chegavam a um sexto do ano.      

Economicamente o sistema feudal estava centrado na produção agrária e a pouca produção artesanal estava concentrada nos senhorios.  Isso não significa que as atividades comerciais ficaram estagnadas. O comércio mesmo variável se manteve, não permitindo assim que a economia agrária fosse uma exclusividade.
   De modo geral as terras dos feudos se dividiam em três partes: a reserva senhorial, o masso servil e as terras comunais. No ano 1000 a sociedade feudal precisava se organizar, então elaborou um esquema de ordem mais conhecido como esquema trifuncional, pensado pela Igreja, que era grande detentora de terás e tentava manter o trabalho servil. O esquema pregava que cada um desempenhando seu papel na sociedade estava agradando a Deus.  O sistema se constituía em: Bellatores, Oratores e Laboratores. Os Bellatores eram os nobres e o termo originalmente significa guerreiros. Os oratores, termo que significa rezadores, constituíam o clero; e os laboratores, etimologicamente trabalhadores, eram os servos.
   Esse sistema criou um clima de imobilidade social onde ninguém subia ou descia de posição social. De acordo com Legoff a sacralização da sociedade e a divisão em ordens extremamente dependentes umas das outras tinha o objetivo de manter o servo à terra, conter as revoltas e manter a ordem universal.
   O bispo Aldebaron de Laon, no século XI, dizia: Nobreza, Clero e servos formam um só conjunto e não se separam. A obra de um permite o trabalho dos outros dois e cada qual, por sua vez, presta apoio aos outros (Cotrim, 1990).
   Do ponto de vista econômico a igreja além de ser grande detentora de terras  - calcula-se que a igreja tenha chegado a possuir um terço das terras cultiváveis no ocidente – ela também possuía uma influência sobre o imaginário do homem medieval onde seu referencial para todas as coisas era sagrado o que por sua vez fazia com que os indivíduos tivessem medos escatológicos, questionamentos sobre a pós morte dentre outros. 
   A concretude da religiosidade medieval – daí as peregrinações, cruzadas, culto às relíquias – derivava do seu forte dualismo, da crença na onipresença dos anjos e demônios a quem se procurava ou atrair ou exorcizar (Junior, 1992). Assim a forte presença da religiosidade ditava o modo de volver do homem medieval, fazendo com que todos os acontecimentos fossem interpretados por uma ótica sagrada. 
   Em meio a tantos acontecimentos se percebe um lento processo de transformação, uma nova classe poria em xeque o sistema social harmonioso da Igreja, a burguesia. Sua atuação aparece com o crescimento dos centros urbanos, nos séculos XI e XIII, consumando a destruição do sistema tripartido e a dissolução do sistema feudal modificando as estruturas do mundo medieval. Para tanto, uma tranqüilidade social vivida pela Europa no século XI deu início a este lento e decisivo processo de transformação, com o fim de sucessivas inovações, o início de cruzadas que reabriram o mediterrâneo, novas atividades econômicas e o crescimento populacional, permitiu o retorno à vida urbana fazendo renascer as cidades.  Tais fatos permitiram que a sociedade de ordem desse lugar a uma sociedade onde os indivíduos fossem classificados de acordo com a sua profissão. A centralização do poder agora nãos mãos da monarquia conduziu à emergência da formação do Estado absolutista. Percebe-se na figura 2 características simbólicas desse período: pessoas ajoelhadas diante da monarquia e posteriormente o rei os abençoando – uma figura divina com poder real.
   A formação do Estado se deu em oposição ao regionalismo político dos feudos e o universalismo religioso, provocando transformações religiosas.  Com a formação de núcleos urbanos a partir do século XII ocasionou a liderança na revolução comercial e, com isso, não apenas um avanço estilístico na arte e na cultura, mas na política e utilização da eloqüência pública para a prática da liberdade e a análise da história à luz das próprias experiências, como se a própria história fosse uma ferramenta para uma arte racional de governar (Fontana, 1998).
 
III. Análise das imagens referentes à Idade Média e Moderna

   O homem na Idade Moderna começou a  se individualizar. Um novo modo de pensar tende a levar o homem a parar de olhar tanto para as coisas divinas e mais para si mesmo. Não que Deus tivesse sido esquecido, mas deixou de ser o centro. Com essa nova forma de pensar o homem formula novos princípios em substituição aos valores dominantes da Idade Média. Dentre eles se destacam: O humanismo, racionalismo, individualismo.
   Um movimento intelectual e cultural muito marcante nessa época foi o renascimento, nascido na Itália. Foi a partir dessa época que o período medieval começou a ser chamado pejorativamente de “Idade das trevas”. O Renascimento  modificou as técnicas da arte aperfeiçoando-as com a tinta à óleo, misturando tintas, criando cores vivas e atraentes.  
   Apesar de todas as mudanças aparentes se deve entender que essa passagem de um período para o outro se deu de forma gradativa, onde valores renascentistas se via presentes na Idade Média, dando a idéia de continuidade. Para Hauser (1982) a concepção naturalista e científica do mundo é certamente uma criação da renascença, porém o interesse pelo individual, a busca pela lei natural e o sentido de fidelidade à natureza, na arte e na literatura surgem antes da renascença. Portanto, é evidente a continuidade entre a época medieval e o renascimento.     

                                                                                                                          Makerlly        

A possibilidade de parecer ser sem de fato ser [Parte II]



Um dos mágicos mais conhecidos pelas pessoas e mais odiados pelos seus companheiros é chamado de Mr. M, o “mágico dos mágicos”. Sua fama se deu por conta de aparições em programas de TV com o objetivo de revelar os truques por detrás das mágicas mais impressionantes. Havia truques que me pareciam sobrenaturalidade de tão fascinantes que eram, mas quando desvendados pelo mágico perderam sua impressionabilidade.  Era a demonstração explicita de que nem  tudo que parece é. Era a evidência de que aquilo que aparentava extraordinário não passava de um truque bem elaborado. Tal era a sutileza e a capciosidade dos números que deixavam os espectadores e os telespectadores boquiabertos.
Essa impressão de grandeza e sobrenaturalidade também se vêem no âmbito cristão quando os falsos profetas atuam. Tudo parecem mistério e atividade divina, mas por meio de uma boa observada  se consegue enxergar a elaboração de um truque bem sutil. O propósito principal desses mágicos evangélicos  é a lucratividade em detrimento do bem-estar das pessoas que são tão crédulas.
Em sua primeira epístola João alerta aos cristãos a não darem crédito a todo aquele que fala ou faz coisas em nome de Deus. Ele afirma: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, porém, avaliai com cuidado se os espíritos procedem de Deus, porquanto muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1João 4.1).  Tal texto faz-nos pensar que todos devem ser pesados, medidos, avaliados por um padrão absoluto para que se prove sua autenticidade.
Há uma idéia de que não se deve julgar ninguém, portanto não se pode afirmar quem é quem. Usam até mesmo texto bíblico: “não julgueis para que não sejam julgados”. Essa idéia distorcida de que não se pode, por um critério, julgar a autenticidade de alguém é antibiblica. O texto bíblico afirma literalmente que: “não julgueis para que não sejam julgados”, mas não no sentido de que se deve tolerar tudo e todos sem questionamentos nem discernimento do que é correto ou errado. Em outra ocasião explicarei o sentido real desse texto. Mas, se percebe nitidamente que se o interpretar dessa forma distorcida ele se chocará com outros textos tais quais o de João. João nos diz que devemos “avaliar com cuidado”.  E avaliação implica em investigação, perscrutamento, julgamento, discriminação entre o que está correto ou não. Como se discernir entre o falso profeta e o verdadeiro profeta? Avaliando-os. Como ocorre tal julgamento ou avaliação? Tendo como pressuposto um padrão firme e absoluto. Esse padrão firme e absoluto é a palavra de Deus revelada.
Da mesma forma que uma empresa para ser qualificada e receber o selo dessa qualificação precisa ser auditorada e aprovada, os cristãos precisam passar pelo padrão das escrituras para se encaixar no perfil de autenticidade. Os auditores de empresas usam uma norma universal para determinar a qualificação de produtos, escolas, marcas etc. A bíblia é o meio pelo qual a autenticidade e legitimidade dos que se dizem líderes cristãos são atestados. O critério essencial e principal para se provar a autenticidade do verdadeiro cristão e para discernir se o que ele diz ou faz vem de outro lugar são as Escrituras. E ela nos dá alguns princípios pelos quais podemos discernir se alguém é falso ou verdadeiro; se alguém é “ouro de tolo” ou ouro puro.
Tal qual um bom ourives através desses princípios muniremos nossa mente acerca daquilo que pode detectar um falso profeta ou um falso cristão. O propósito desses textos é esclarecer que nem tudo que é dito e feito em nome de Deus vem, de fato, de Deus; e, sob a ótica das Escrituras, precisam ser avaliados para que não se caia no mesmo erro deles. 
CONTINUAÇÃO...       


A possibilidade de parecer ser sem de fato ser [Parte I]



O evangelicalismo moderno está cheio de gente que se autodenomina apóstolo, profeta, bispo, missionário, enfim, pessoas “cheias” de autoridade afirmando advir de Deus. Em primeira instância aparentam ser alguma coisa, mas quando se faz uma investigação acurada não passam de charlatões agindo em prol do lucro em nome de Deus. O pior é que tais líderes fazem discípulos que são os clones perfeitos da malignidade disfarçada e maquiada.
As Escrituras nos mostram o perigo de cair nas armadilhas de tais pessoas. As redes armadas são sutis, as palavras doces e capciosas, mas os resultados são cruéis, venenosos e letais. A aparência e as obras dessas pessoas podem até impressionar e fascinar, mas não passam de adoradores de si mesmos e, concomitantemente, marionetes de satanás. Aos nossos olhos parecem ovelhas, mas aos olhos de Deus são lobos devoradores e famintos.  Aos nossos olhos parecem árvores que dão frutos nutritivos e saborosos, mas seu fruto é venenoso.
O próprio Jesus disse aos seus discípulos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15).  Ou seja, nem tudo aquilo que parece é. É necessário que se tenha cuidado, cautela, discernimento para distinguir entre aquele que é e o que não é para não cair em suas armadilhas e para não cair em suas garras. Jesus nos mostra a possibilidade de alguém demonstrar, o tempo todo, doçura e inocência; boas intenções e auxílio, mas no fundo no fundo sua principal motivação é lucrar de alguma forma. Jesus nos aconselha a tomar cuidado com os que parecem ser alguma coisa, mas não são de fato.
Os lobos não se apresentam como lobos. Seria explícito e afugentador demais. Há um disfarce quase imperceptível. Enganador. Jesus se refere claramente aos falsos profetas. Pessoas que diziam ter algo da parte de Deus, mas diziam aquilo que seu ventre afirmava. Suas palavras e seus feitos são tão extraordinários que podem ludibriar até mesmo os eleitos. Jesus disse: “Surgirão falsos cristos e falsos profetas, realizando sinais e maravilhas, com o objetivo de enganar, se possível, os próprios eleitos. Desse modo estai vigilantes, pois sobre tudo isso avisei com antecedência” (Mc 13.22). 
Paulo em sua epístola aos Romanos diz: “Rogo-vos, queridos irmãos, que tomem muito cuidado com aqueles que causam divisões e levantam obstáculos à doutrina que aprendestes. Afastais-vos deles! Porquanto essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas sim a seus próprios desejos. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.17-18). Paulo é mais radical. O perigo pode ser encontrado na mesma congregação. A suavidade das palavras e as ações impressionantes podem ser ouvidas e vistas como Deus operando, mas são as paixões dos enganadores que externam seu veneno.
Paulo em outra carta afirma: “Tende muito cuidado para que ninguém vos escravize as vãs e enganosas filosofias, que se baseiam nas tradições humanas e na falsa religiosidade deste mundo, e não em Cristo” (Cl 2.8). E o mesmo tipo de cuidado aconselha a Timóteo: “Nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desrespeitosos aos pais, ingratos, ímpios, sem amor, incapazes de perdoar, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, inconseqüentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres d que amigos de Deus, com aparência de piedade, todavia negando o seu real poder. Afasta-te, portanto, desses também” (2Tm 3.1-5).
Pedro não fica de fora quando se trata de advertir os cristãos em relação aos que parecem ser algo, mas não o são. Ele diz: “assim como, no passado, surgiram falsos profetas entre o povo, da mesma forma, haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao cúmulo de negarem o Soberano que os resgatou, atraindo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão seus falsos ensinos e práticas libertinas, e por causa dessas pessoas, haverá difamação contra o Caminho da Verdade” (2Pe 2.12).   Tais textos deixam claro que precisamos ser vigilantes, cuidadosos, cautelosos acerca dos que se dizem advindos de Deus, mas não são.
Há muita gente, principalmente, na mídia que tem ludibriado as pessoas em nome de Deus e em prol do enriquecimento. Dizem estar fazendo a obra de Deus, mas não passam de usar o nome de Deus como passaporte ou senha para os lucros exacerbados.
O “apóstolo” Valdemiro diz que teve uma revelação, da parte do Espírito Santo, há pouco tempo em rede nacional, sobre o trízimo. As pessoas teriam que depositar o dízimo em sua Igreja e ir além, triplicá-lo.  Sem falar na ênfase nos milagres dando a impressão que Jesus é um mero milagreiro. Uma breve leitura bíblica. Textos sendo usados como pretexto para enfatizar seus desejos insanos. Os frutos podem ser vistos: templos fabulosos e caros sendo construídos em ritmo de competitividade; pessoas frustradas e motivadas por fatores errôneos; conta bancária estourando pelo dinheiro adquirido com as toalhinhas ungidas, sabonete santo, pulseira da benção, gruta da unção. Cultos atrativos com nomes sugestivos três vezes por dia para aumentar a arrecadação. Tais pessoas não passam de megalomaníacos.
O Malafaia, autodenominado “profeta do Brasil”, trás um outro “profeta” internacional para extorquir o povo crédulo. É a unção dos 900 reais. É a proposta de barganha com Deus. Dão os 900 reais – que para a maioria são suados - que Deus triplicará seu dinheiro. E outra coisa absurda que ocorre. É a imposição de culpa aos telespectadores pelo sucesso ou fracasso do seu programa. Ele diz: “não permita que percamos nosso programa seja um colaborador! Estamos evangelizando o Brasil!”. Por que ele não vende seu carro blindado e doa para seu próprio programa? Porque os que não tem dinheiro e nem vínculo direto com a sua denominação são tidos como culpados? Eu não o considero profeta do Brasil. Ele não fala por mim quando diz certas coisas como se fosse a voz dos evangélicos no Brasil. Eu me envergonho com a podridão que há nos bastidores. A briga por posição hierárquica e poder.
Há outros que podem e devem ser citados. Devemos dar nome aos bois. Edir Macedo que afirmou que ele atrai o povo com “bosta” e o povo gosta. Até rimou. Sem falar no fato de que ele é um dos precursores da teologia da prosperidade no Brasil juntamente com R.R Soares. Fazendo da Igreja um mercado e do povo cliente que merece receber aquilo que pagar. Essas pessoas fazem com que “o Caminho da Verdade seja difamado”.
Estão construindo megaigrejas fundamentadas em alicerces podres. São enormes os seus templos, são incontáveis os seus membros, mas é medíocre, torpe e pior, anticristão o seu ensino.  Um dia a casa vai cair e será revelado definitivamente quem é quem. Um dia o fogo descerá e será evidenciado que tipo de material está sendo usado para construir tais impérios. Que Deus tenha misericórdia desses tais e que eles se arrependam imediatamente, pois se não o fizerem será grande a sua ruína.    
CONTINUAÇÃO...
                                                                                           Pr. Josguimar Amaral


A reforma protestante: um breve olhar sobre um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade


A inevitabilidade da reforma  protestante ocorrida no século XVI se deu por alguns fatores religiosos, sociais e políticos. Destaca-se, por exemplo, sob a perspectiva religiosa, o fato de que a Igreja Católica Romana foi relutante em aceitar as mudanças que foram sugeridas por homens piedosos como Wycliffe e Jonh Hus; sob a ótica político-econômica, o surgimento das nações-estados, que se opuseram ao poderio universal do papa e a formação da classe média, que se revoltou contra a remessa de reservas para Roma; no âmbito moral, a corrupção, imoralidade e sensualidade reinavam e causavam aversão aos piedosos. Era o ambiente propício para uma revolução. O clima estava efervescente.
De acordo com Cairns (1984)

Por volta de 1500, os fundamentos da velha sociedade medieval estavam ruindo e uma nova sociedade, com uma dimensão geográfica muito ampla e com transformações nos padrões políticos, econômicos, intelectuais e religiosos, começava a surgir. As mudanças foram realmente revolucionárias, por sua natureza e pela força de seus efeitos sobre a ordem social.  

Algumas sugestões desafiadoras que, viraram realidade e ganharam consistência durante o processo de reforma,  foram propostas nesse ambiente em que a Igreja era monopolizadora:  a) a substituição da Igreja Universal por igrejas nacionais ou estatais e igrejas livres; b)  a teologia bíblica protestante ganhou o lugar da filosofia escolástica; c) a justificação pela fé somente foi enfatizada no lugar dos sacramentos e das obras; d) a bíblia somente tornou-se a norma e não a bíblia unida à tradição. Todas essas mudanças, contudo, após 1650, foi solapado pela filosofia idealista alemã e pela crítica bíblica, o que fez com que a civilização ocidental se tornasse cada vez mais secularizada. A expansão global da Europa resultou na afetação de todo o mundo por essa situação.
As perspectivas mudaram rápida e progressivamente em todos os campos. No âmbito geográfico houve uma mudança do sistema potâmico[1] e talássico[2] pela era de civilização oceânica, em que os mares do mundo tornaram-se as estradas do mundo. No âmbito político, o conceito medieval de um estado universal estava dando lugar ao novo conceito de nação-estado (Cairns, 1984, p. 222). No campo econômico houve uma consolidação e ampliação das mudanças que já haviam começado antes da reforma por conta do ressurgimento das cidades, a abertura de novos mercados e a descoberta de fontes de matéria-prima nas recentes terras descobertas. Essa descentralização econômica provocou a aversão em relação ao envio das riquezas à Igreja universal sob a liderança papal. Do ponto de vista social, houve uma mudança entre o sistema organizacional horizontal para uma organização mais verticalizada. Ou seja, diferentemente do sistema organizacional medieval o novo sistema possibilitava a ascensão social. E essas pessoas que estavam ascendendo socialmente e formando uma nova classe social garantiram as mudanças introduzidas pela reforma no noroeste da Europa.  Sob a ótica intelectual, houve transformações na sociedade provocadas pelo Renascimento que por sua vez impulsionou o interesse pela volta às fontes do passado, uma ênfase no individuo.
continuação...

                                                                                             Pr.  Josguimar
  



[1]  É chamado Potâmico por que a civilização do mundo antigo  estava ligada aos seus sistemas fluviais específicos. 
[2] É chamado Talássico por que a civilização medieval desenvolveu-se em torno dos mares Mediterrâneo e Báltico.